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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

COMPANHEIROS DA POLÍCIA!

Aqueles que, modestamente, como eu, procuram se inserir na luta popular, sindical, estudantil, etc. e dar sua contribuição, sempre acabam presenciando momentos muito curiosos, nos quais se testemunha as mais estúpidas reações políticas, expressas em discursos e ações de alguns setores da dita “esquerda” brasileira. São momentos onde o que há de mais burro, ilusório, oportunista, covarde e rasteiro na política vêm à tona. Momentos bizarros, que só acontecem nesse lugar que chamam de Brasil, covil da “esquerda” mais inoperante e eleitoreira do mundo. Me refiro àquelas oportunidades em que os cachorros adestrados pelo estado, equivocadamente chamados de “trabalhadores”, a polícia, decidem se mobilizar por aumentos salariais e condições de “trabalho”.

Nesta semana, em Porto Alegre, é possível assistir nos meios de comunicação burgueses a uma chamada paga pelo CPERS (é o Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul, que costuma usar a contribuição dos filiados para financiar a RBS e toda a corja midiática), no qual conclama professores e “trabalhadores da segurança” (policiais) a se unirem contra o governo Yeda. Para o mais desavisado, num primeiro momento, poderiam achar que isso seja uma coisa muito lógica.

Então, eu lembro de todas aquelas marchas, ocupações e ações, com objetivo de melhores condições de vida. Nessas ocasições estamos sempre acompanhados pelos “trabalhadores” da segurança, nos fungando no cangote, prontos para, a qualquer sinal, bater, prender e matar, não importa a quem, jovem, velho, mulher, criança. Isso foi assim em Eldorado dos Carajás (1996), na desocupação do Sonho Real (Goiás, 2005), nas “comemorações” de 500 anos (2000), na desocupação da fazenda Southal (2009) e em inúmeros outros momentos, talvez, menores, como no 11 de junho de 2008, em frente ao supermercado Nacional, em Porto Alegre, onde eu vi pessoas idosas, como meu pai, terem o crânio golpeado por cacetetes, empunhados pelso “companheiros da polícia”, expressão costumeiramente usada pela maioria da “esquerda” para designar a esses mercenários.

Será que, em algum momento, algum desses capangas com estabilidade, se preocupou com o que estava sendo reivindicado pelos manifestantes? E, o mais importante, se tivesse se preocupado, isso teria feito alguma diferença para quem estava sendo espancado, para quem pintava a calçada com o sangue da cabeça, para quem tinha os olhos em brasa pelo gás lacrimogêneo? Digo isso porque alguns podem argumentar: “mas podemos trazer eles para nosso lado!” Bom, pensemos na prática, sejamos pragmáticos (como é a “esquerda” brasileira), para que isso represente alguma vantagem, de fato, é preciso que, nos momentos de ação de rua, os policiais, que estão sentimentalmente do nosso lado, voltem suas armas para seus colegas. Isso seria realmente uma ajuda. Porém, isso nunca aconteceu antes, nem vai acontecer. E, se aconteceu, foi aqueles momentos muito particulares, que vamos morrer esperando para que aconteçam de novo. Mas, ainda, podem defender que numa dada conjuntura revolucionária futura, será importante esses setores do lado do povo. Pergunto, quando vai ser essa conjuntura? Marx tinha alguma data para ela? Os policiais sensíveis a nossa causa, mais bem fariam se pedissem demissão. Afinal, não há uma lei que diga que só se fazendo papel de um cachorro adestrado que se consegue pagar as prestações do carro ou as contas da casa, ou o churrasco no fim de semana. Existem outros meios de se fazer isso, mais dignos.

Enquanto essa “esquerda” fala essas idiotices e se justifica atrás de um discurso pseudo-estratégico revolucionário, o povo, trabalhadores e trabalhadoras, estudantes, etc., amortecem sua rebeldia escutando esse lixo em assembléias, reuniões e carros-de-som. Esse discurso insano, de aliança com os “companheiros da polícia”, vomitado por toda a “esquerda” marxista, que mal consegue disfarçar seu fetiche por fardas, divisas e desfiles militares. Alguns sonham com uma nova intentona? Algum golpe militar de esquerda? Pergunto, qual sociedade socialista é possível construí com quem só aprendeu a cumprir ordens e causar dor? Eu respondo, a mesma que na URSS e o seu exército de estupradores, o exército vermelho. Ou esperam sensibilizar a polícia para ganhar votos nas próximas eleições? Nesse caso, é preciso frear cada vez mais a luta, para manter uma imagem elegível para a sociedade, para que a mídia não possa argumentar contra eles, é o que dizem.

Se sofrermos um novo golpe, o que já não é assim mais tão difícil hoje, uns 80% terá sido culpa da “esquerda” brasileira, com seus discursos e “estratégias” estúpidas, que, nos últimos vinte anos, nunca lutou por mudanças de fato nesse aglomerado de gente, administrado por desgraçados, que alguns chamam de país.

2 comentários:

koisarada disse...

Muito bom o texto.
Sem Palavras.

Ethon disse...

Faz bem sacudir volta e meia de vez a lembrar dos terríveis todos, e agradeço a argúcia da argumentação com que nos liga na sintomaticidade desta grande maluquice que passaria como inconsequente por muitos, ou pior, "normal", "natural", etc.