SEJA BEM-VINDO(A)!

Este é o blog de Rafael Costa. Aqui você encontrará meus desenhos, charges, quadrinhos, textos, etc. Tendo como temática principal a violência do estado, podendo variar em alguns momentos. Se você for amigo ou amiga, deixe-me um recado no mural. Sua opinião é importante. Ou escreva para ventodeliberdade@gmail.com.Também indico a navegação pelos meus links de blogs, são ótimas dicas. Obrigado.

quarta-feira, 18 de março de 2009

MAIS QUE PALAVRAS



Quero informar aos e às que acompanham este blog que está quase por concluir-se a minha primeira publicação "solo". Trata-se de uma História em Quadrinhos, com 41 páginas, intitulada "Mais que palavras", baseada em alguns momentos da vida de Miguel Arcángel Roscigno, anarquista expropriador argentino, morto em 1936. A HQ começou a ser pensada e desenhada no início de 2007, ou seja, demorou mais que uma gestação e terei a honra de ver meu trabalho editado por uma importante editora libertária brasileira, a Achiamé (http://www.achiame.com).
Aí as pessoas podem ver algumas amostras do que vai ser a publicação. Aguardem!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Latinoamericanizar o Brasil!

Acabo de voltar da Argentina, onde participei do VII Encontro Latino Americano de Organizações Populares Autônomas (ELAOPA), que ocorreu entre os dias 27 de fevereiro e 1 de março, na cidade de Luján, próximo a Buenos Aires. Lá foi possível tomar contato com uma grande variedade de experiências militantes, em várias áreas, da cultura ao sindicalismo, passando pela questão de gênero, educação popular e recursos naturais. Participaram organizações e indivíduos do Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Bolivia e México. Foi uma oportunidade para perceber o quanto nós, brasileiros, estamos distantes, culturalmente e socialmente do que acontece neste nosso continente. Como se não fizessemos parte dele.
Basta folhear um livro escolar comum, com uma qualidade razoável, de história argentina ou boliviana e veremos como os temas são tratados. Ou seja, resumindo, temos uma história comum enquanto povos. Há mais de 10.000 anos, os primeiros seres humanos chegaram neste continente, se instalaram, desenvolveram-se, confrontarem-se, enfim, fizeram sua história. Há pouco mais de 500 anos, houve a chegada dos invasores vindos da Europa (sim, é assim que aparece no livro: invasores!) e, bom, o resto muita gente sabe, levaram toda a riqueza que encontraram, escravizaram povos e dividiram o continente em territórios, chamados países. Aqui, nas escolas brasileiras, temos a impressão que nossa história começa com a chegada dos “descobridores” portugueses.Dos países latinoamericanos poucos não possuem o castelhano como idioma, o Brasil é um deles, falamos português. É bem provável que essa seja uma das causas deste distanciamento cultural do qual comecei falando. Mas, como vimos, a distância histórica não é muita.
Conhecemos todos os músicos e bandas do circuito europeu e estado-unidense, porém é difícil um brasileiro mediano citar uma banda ou músico latinoamericano. Shakira, Fito Paez, isso é o máximo que se consegue. Isso que nem perguntei dos grupos e músicos folclóricos. Assistimos aos campeonatos de futebol inglês, italiano e espanhol, e não sabemos o que acontece no futebol do nosso continente, fora a Copa Libertadores e Sul-americana (Alguém poderia argumentar que é pela qualidade do futebol. Tenho dúvidas, pois é duro assistir a um Arsenal X Midlles Brow da vida, por exemplo). Bem, nesse campo, do futebol, sou obrigado a registrar que no Rio Grande do sul, nos últimos anos, tem havido uma certa influência das Barra-Bravas latinoamericanas nas torcidas da dupla Gre-nal. O que isso pode significar? Bom, seria preciso um estudo antropológico, mas tendo a opinar que há algo de positivo.
Às vezes em meios de comunicação, os quais têm seus conteúdos repetidos pelas pessoas, ouvimos ou lemos a palavra gringo para se referir a um argentino, uruguaio ou até paraguaio (detalhe, o paraguai tem o guarani como língua oficial)!!! Isso se vê em programas de futebol. Que é um dos assuntos mais importantes no Brasil (assim como em todos os países sul-americanos, menos Venezuela, onde jogam beisebol).Mas é uma besteira, pois, gringos, são Yankees. Bom, acabamos estendo a palavra para canadenses, europeus, neozelandeses e australianos.
Os efeitos maléficos da doutrina neoliberal no nosso continente se manifestaram com grande intensidade nos fins dos anos 90 e início dos 2000. Pobreza, desemprego, violência, repressão, etc. Qual foi a resposta popular dada em muitos países latinoamericanos? Na Argentina, Bolívia, Equador, México e Venezuela o povo saiu às ruas e caíram muitos presidentes. Quando observamos as formas de luta em qualquer país desse nosso continente, estão lá os pneus em chamas e as estradas bloqueadas. Qual é a prática mais comum da nossa triste esquerda? Seguir um caminhão de som. Pobre povo brasileiro, obrigado a se contentar com isso.
Não há um jovem argentino ou uruguaio que não saiba dos milhares de desaparecidos nos regimes militares dos seus países. Não estou falando de militantes. E, sim, de pessoas comuns, que trabalham, estudam, pegam ônibus, vão à festas, etc. Agora, imagine um jovem brasileiro que tenha esse perfil, depois vá lá e lhe pergunte sobre a ditadura militar, sobre Lamarca, Araguaia... Espero que tenha uma resposta melhor do que as que sempre encontro.
No fim, o que quero dizer com tudo isso é que os lutadores populares desse país devem se abrir para a influência latinoamericana, observar, conhecer nossos vizinhos. Devemos deixar que corra por aqui esse vento quem vem da Cordilheira, que vem do Chaco, da Patagônia, da Amazônia, do Caribe, etc. Não somos brasileiros, somos apenas habitantes dessa parte do continente que foi invadida por conquistadores diferentes, de fala portuguesa. Por isso, digo que temos que Latinoamericanizar o Brasil!! Quebrar esse campo de força que nos separa de nossos vizinhos, ser como eles, sentir suas dores. Assumir o Sul como nosso Norte! Isso é o que os ricos deste país mais lutam para impedir.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Os suspeitos de sempre.


Ontem ouvi a notícia de que a Brigada Militar vai começar a abordar os moradores de rua e "pedintes". Em busca de foragidos da justiça. Legal, as pessoas cuja última alternativa foi dormir na rua e mendigar, a gloriosa instituição vai ajudar com cadeia. Bando de desgraçado!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Vagas para cães


Faço um apelo aos que têm a intenção de fazer esse concurso. Por favor, sua humanidade não vale R$ 750,00 por mês.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Brigada Militar: "A força da comunidade".


Eu ia deixar essa passar... porém, os caras não param de veicular na televisão uma propaganda dos 175 anos da brigada militar. Tem uma cena que mostra um pelotão de choque marchando com seus apetrechos. Armas que serão usadas contra a "comunidade", quando esta resolver se indignar contra um aumento de passagens, da comida ou das más condições de saúde, etc. "A força da comunidade"... balela!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Polícia não serve pra nada!

Este espaço está sendo usado por mim, Rafael Costa, como instrumento de denúncia e crítica às violências praticadas pelo Estado, principalmente àquelas que tem como protagonistas o braço armado dessa instituição: a polícia. Geralmente me expresso através das charges, porém, hoje, vou variar um pouquinho. Nesta terça-feira, dia 23 de dezembro de 2008, completa uma semana de uma experiência desagradável que tive este ano (entre outras), a qual relatarei aqui e veremos senão viveríamos muito melhor sem esses empecilhos.
Estava voltando da escola onde trabalho em Gravataí, uma cidade da região metropolitana de Porto Alegre. Era por volta das 22:15 e vinha pilotando a, então minha Honda CG 125 de placa IMM3126, pela estrada RS-118, uma via esburacada e sem qualquer iluminação. Sim, já sei, todo mundo me avisou que isso é perigoso, mas era o caminho mais curto para minha casa, porra! Bom, me aconteceu o que acontece com milhões de brasileiros e brasileiras, me roubaram. Dois homens emparelharam comigo, vinham em cima de outra moto, o caroneiro me cutucava com o cano de um revólver enquanto me gritava para parar. Obedeci e, como parei bruscamente, acabei por cair e me arranhar um pouco. Os dois pararam e me ordenaram que corresse, o que era caroneiro agarrou minha moto, a ergueu e se mandaram em alta velocidade, na direção de Gravataí.
Fiquei sozinho em uma estrada sem qualquer iluminação, onde o transporte público é quase inexistente e onde nenhum motorista se arrisca a parar para dar carona a ninguém. Por acaso, estava sem o telefone celular e com nenhum dinheiro. Ou seja, estava fudido. Porém, por milagre, passados uns vinte minutos, um motorista dirigindo um corsa parou para mim. Não lembro o seu nome, mas lhe sou extremamente grato. Meu salvador me levou até o posto da polícia rodoviária estadual, na estrada RS-040. Onde até fui bem atendido por um PM, que ouviu minha história e, logo depois, se comunicou por rádio com seus colegas em Gravataí, já que os assaltantes fugiram para os lados de lá. Estes, responderam, escutaram e desligaram. Enquanto este PM me atendia, outro jantava assistindo ao “Casseta e Planeta”, dando algumas risadas.
Bom, não tive como saber que providência tomou a polícia rodoviária em Gravataí . O mais provável é que estivessem fazendo como o seu colega em Viamão, vendo “Casseta e Planeta”. O PM que falava comigo me orientou a ir a uma delegacia da polícia civil, registrar o ocorrido. Como tudo é longe nesta cidade, este era outro empecilho para mim, que não tinha como me deslocar. Por sorte, me permitiram usar o telefone do posto e chamei um amigo que possui carro para me ajudar. Fomos a uma delegacia próxima, na mesma estrada. Lá o policial de plantão não podia fazer o registro, pois o “sistema estava fora do ar”. Fomos encaminhados a Primeira DP de Viamão. Onde, com uma má vontade quase palpável no ar, fomos atendidos pelo plantonista. Que me perguntava secamente o que havia ocorrido enquanto ia registrando minha história no computador. Quando foi imprimir o boletim de ocorrência, teve que brigar um pouco com a impressora, o que o deixou seriamente incomodado. Me alcançou o boletim e me disse algo como “é só”.
E isso foi tudo. Um monte de coisa que não serve para nada. O único problema que me causa, a perda da moto, é o de ir ao trabalho. Pois de ônibus eu levo umas duas horas e meia. Fora o fato de estar faltando dois ou três meses para ser paga. Bom, isso se resolve, o importante é estar vivo. Agora, tenho certeza que a presteza dos homens da lei seria outra, caso fosse filho de um juíz, oficial militar ou banqueiro. Sou só um professor da rede municipal de Gravataí, filho de Seu Juranda e Dona Lanes.
A polícia demonstrou muito mais empenho e dedicação para dar-me uma multa por atravessar o sinal vermelho, às 22:50, na mesma estrada RS-040, no mês de julho desse ano. Também os policiais foram rápidos e eficientes quando, durante uma manifestação pacífica, arrebentaram minha cabeça e mão esquerda a golpes de cacetete (Se querem saber, os cabelos já cresceram por sobre a cicatriz. Vai precisar mais que isso para acabar comigo). E, como não citar, as incontáveis vezes que me mandaram pôr a mão na cabeça ou olhar para uma parede, tudo sob aquele olhar de desprezo que só merece ser dirigido a pior escória da humanidade. Alguém, poderia pensar: “este é o preço que pagamos, passa-se por estas situações para que tenhamos segurança”. E eu pergunto: Qual segurança? Pois eu digo que a gente passa por isso para que os ricos e poderosos no Estado e fora dele tenham, estes sim, segurança. Segurança de governarem sem oposição, segurança de enriquecerem às custas do povo trabalhador, sem que ninguém peça o que é seu de volta. Para isso serve a polícia.
Outros podem dizer que sem o Estado e a polícia a humanidade viveria como na “selva”. Eu digo que se estamos vivos e usufruimos algum direito, isso é “apesar” do Estado e não “graças” a ele. Pago impostos para livrar-me dos prejuízos que o Estado pode causar na minha vida, não para ter direitos. Estes, ninguém os tem, estes, é preciso que se busque na luta.
Bom, sei que o nosso dia vai chegar. E, enquanto puder desenhar e escrever, vou dizer o que penso. Se me impedirem, vou continuar incomodando de algum outro jeito. Desejo um péssimo ano novo aos desgraçados que me roubaram o meio de transporte que me era tão útil e outro terrível ano novo à toda corja do Estado.